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A chegada da Mulher Maravilha ao cinema



[Este post contém spoilers]

Começamos junho com a aguardada estréia do filme solo da Mulher Maravilha nos cinemas, além de estreiar com bons números de audiência Mulher Maravilha superou os demais filmes da DC Comics na crítica.
A personagem interpretada por Gal Gadot foi apresentada em Batman v Superman: A Origem da Justiça (2016) roubando a cena a cada vez que aparecia, ofuscando os protagonistas. A diferença dos dois filmes é que enquanto um nos preparava para o inicio da Liga da Justiça, o mais novo lançamento nos conta a origem da personagem até então misteriosa, pois o Superman já havia tido um filme de origem, O Homem de Aço (2013), e o Batman sabemos do essencial de sua história no filme que coloca os maiores heróis da DC Comics como rivais.
A origem de Diana na era de ouro conta que ela fora moldada do barro por sua mãe Hipólita e a vida à figura de barro foi dado por um sopro de vida da deusa Afrodite, podemos notar que nessa versão da origem a figura masculina não existe na criação da personagem, contudo quem criou a personagem foram dois homens: William Moulton Marston e Harry G. Peter. Uma curiosidade sobre seu criador, William Moulton Marston, é que a personagem foi baseado em suas duas mulheres Elizabeth Holloway Marston e Olive Byrne, que viveram com Marston uma relação polígama, além disso Marston também foi o criador do polígrafo, conhecido como detector de mentiras, por isso a Mulher Maravilha possui o laço da verdade, uma alusão à invenção de Marston.




O filme se utiliza da cronologia apresentada nos Novos 52, onde Diana não nasceu do barro, mas sim é filha de Hipólita com Zeus, dessa forma nos é apresentada uma super-heroína semi-deusa. 
O filme se utiliza da primeira origem de Diana, da Era de Ouro, para que sua mãe a proteja de Ares, o Deus da Guerra, que matou todos os outros deuses do Olimpo, dessa forma, Hipólita fala à sua filha que ela foi nascida do barro, onde Zeus lhe deu o sopro de vida que transformou a figura de barro numa criança. Por ser filha de uma deidade Hipólita até tenta que sua filha não se torne uma guerreira, pois dessa forma seus poderes podem não se manifestar e assim ela não seria rastreada por Ares. Contudo o sangue de Diana fala mais alto e escondida ela treina para ser uma guerreira, tendo sua tia, Antíope, como tutora. Hipólita acaba se dando conta que não conseguirá conter sua filha e pede a sua irmã que a transforme na maior guerreira amazona que já existiu.
A vida de Diana realmente começa quando Steve Trevor chega a Temiscira sendo perseguido pelo exercito alemão, neste momento Diana descobre o que é uma batalha real além de descobrir o que é a morte, sua tia Antíope acaba sendo vítima dos alemães, ao salvar sua sobrinha. Trevor explica as amazonas que há uma grande guerra acontecendo e como Temiscira fica isolada do mundo eles não sabem de nada, são inocentes no que se refere aos acontecimento do mundo dos homens.
Vale ressaltar que Temiscera é um local povoado apenas com mulheres, logo todos os cargos são ocupados apenas por mulheres e podemos observar uma variedade étnica nesta ilha de guerreiras criadas por Zeus, no restante do filme - que se passa na Europa - não há mais essa variação.



Diana e Trevor vão embora de Temiscera, o objetivo da princesa amazona é matar o Deus da Guerra e pede ajuda ao espião americano que a leve ao front de batalha, no meio da guerra. Contudo, antes da Diana entrar em ação na grande guerra lhe é apresentado o mundo dos homens e Diana, é interessante ver como ela fica deslocada neste novo mundo, como é inocente aos acontecimentos do mundo, aqui podemos ver a impecável interpretação de Gal Galdot, em alguns momentos é uma guerreira formidável, em outras parece uma criança inocente. 

Feminismo

Desde sua concepção em 1941 a Mulher Maravilha foi criada para suprir a necessidade de uma personagem de super-heróis que era estritamente masculino, com isso em mente desde a pré-produção o filme da Mulher Maravilha gostaria de manter uma visão mais feminista do mundo, tanto que umas das diretrizes dos produtores era que a direção estivesse em mãos femininas, e assim o cargo foi ocupado por Patty Jenkins.
Voltando ao enredo, vemos que Diana desde que chega à Londres quebra vários paradigmas pré-estabelecidos, basicamente todos os homens do filme dependem dela, ela os salva, os aconselha, questiona as decisões dos homens no comando. E o mais interessante, quando uma mulher está livre das amarras de uma sociedade machista e fala aquilo que quer acaba tendo apoio de outras mulheres que estão sendo oprimidas por este sistema, podemos ver isso claramente com a secretária de Steve Trevor.


O ápice do feminismo do filme, a meu ver, se dá no front de batalha na metade do filme, está havendo uma batalha entre trincheiras e uma cidade está sendo subjugada do outro lado pelos alemães, os soldados americanos dizem que estão ali há mais de um ano sem conseguir avançar um centímetro. 
Há um local na qual a sobrevivência é quase nula que é onde se cruzam os poderes de fogo de dois exércitos, o local entre duas trincheiras, e este local é chamado de Terra de Ninguém, em inglês No Man Land (Terra de Nenhum Homem) - mas Diana é uma mulher - ali ela faz toda a diferença na batalha e somente graças a ela o exercito consegue conquistar a terra dominada pelos alemães. O poder feminino nesta é quem define o rumo de uma batalha, que a vence e prova que aquela terra não era feita para homens.


"Por trás de um grande homem, sempre há uma grande mulher", enquanto vemos que Diana está por trás das grandes ações dos protagonistas, no time dos vilões temos o general Ludendorff, um entusiasta da guerra que não quer que ela acabe sem a vitória dos alemães, porém mesmo o general tem uma figura feminina por trás de seus planos, a Dra. Maru. Sem Maru o general não seria capaz de levar seus planos a diante.


Multiverso

Em que época se passa o filme da Mulher Maravilha?
Muitos responderiam que se passa durante a Segunda Guerra Mundial, todavia não há nenhuma menção ao nazismo ou mesmo ao Führer, Adolf Hitler. Na Primeira Guerra Mundial os aviões não eram tão avançados, não poderiam carregar a quantidade de gás da Dra. Maru no terceiro ato.
A DC trabalha nos quadrinhos mesmo nas suas séries com o conceito do Multiverso, que nada mais é que universos paralelos diferentes uns dos outros, neste filme nos é dado uma pequena amostra disso. O DCU não se passa no mesmo universo que o nosso, pode até ser que tenha havido duas guerras mundiais naquele universo, mas a primeira aconteceu mais tarde.
Basicamente, a DC nos mostra que todas as suas histórias paralelas, nos quadrinhos, nos filmes, nas animações e nas series, acontecem simultaneamente, porém cada uma em seu próprio universo.

A construção de um bom vilão



Diferente do que fez a Marvel com o Capitão América, ou a Fox com X-men, o nazismo não é um vilão, ali naquele filme o nazismo sequer existe, não foi preciso criar um ódio pelo vilão ligando-o na maior vergonha da história da humanidade, porque na realidade podemos nos afeiçoar a ele.
O grande vilão do filme é Ares, o Deus da Guerra, que tem sua identidade mantida em segredo até o terceiro ato. Ao se revelar à Diana - e como um bom vilão - revela suas motivações em destruir a humanidade. Basicamente, o mundo pertencia aos deuses do Olimpo até Zeus criar os humanos, mas estes, com seu livre arbítrio, podiam fazer qualquer coisa dentre elas destruir a terra por motivos mesquinhos e para Ares, a Terra era a maior criação de seu pai.
A Motivação de Ares em destruir os humanos não é mesquinha e sem fundamentos, como constantemente vemos nos vilões que tem como meta conquistar ou destruir o mundo, mas sem explicar o porquê. Muitas vezes os vilões não possuem a profundidade que um bom vilão precisa e um dos maiores acertos da DC Comics é na elaboração de seus vilões.
Ao ouvir o ponto de Ares, Diana parece considerar a oferta do vilão de se juntar a ele. Desde que ela chegou ao mundo dos homens presenciou os horrores da guerra e como a humanidade é egoísta e covarde. Diana é uma heroína de nascença e sabe que Ares é o vilão desde os tempos mitológicos quando destruiu os outros deuses do Olimpo, ela ainda possui a fé na humanidade e se opõe ao Deus da Guerra.

Sacrifício

No final do terceiro ato, enquanto Diana luta contra Ares, Steve Trevor precisa impedir que um avião carregado de veneno dizime parte da Europa, para isso Trevor  o sequestra e, num ato de coragem, dá a sua vida para salvar milhares ao explodir o avião enquanto o pilota.
Neste momento duas coisas ocorrem: 1) A fúria de Diana a faz libertar seus poderes até então adormecidos para que assim ela consiga derrotar Ares; 2) Diana, que parecia estar perdendo sua fé na humanidade desde que chegara ao mundo dos homens começa a entender os seres humanos.
Diana abraça sozinha a função dada às amazonas, manter os homens em paz. Contudo ela nunca está realmente sozinha, na grande guerra ela havia seus companheiros e no fim do ano ela terá a Liga.


Referências:
http://pt.ign.com/mulher-maravilha/44073/feature/as-cinco-questoes-mais-pertinentes-sobre-mulher-maravilha
https://pt.wikipedia.org/wiki/Avia%C3%A7%C3%A3o_na_Primeira_Guerra_Mundial
http://www.geledes.org.br/por-que-mulher-maravilha-nao-e-um-filme-tao-feminista-assim/

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